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Filtro tem bom desempenho na remoção de poluição, absorvendo 99,9% dos microplásticos das águas
Microplásticos estão presentes desde a água engarrafada, até em placentas humanas e leite materno. Essas pequenas partículas de plástico afetam os ecossistemas e representam um risco à saúde humana e dos animais, sendo difíceis de eliminar. Isso torna ainda mais urgente a busca por soluções para combater os plásticos que contaminam os oceanos. Nesse sentido, cientistas chineses identificaram uma possível solução: uma esponja biodegradável feita de ossos de lula e algodão, capaz de absorver microplásticos de amostras de água.
No estudo publicado em dezembro de 2024 na Science Advances, pesquisadores da Universidade de Wuhan utilizaram a quitina dos ossos de lula e a celulose do algodão – dois compostos orgânicos conhecidos por ajudar na remoção da poluição das águas – para desenvolver uma esponja biodegradável. Eles testaram a esponja em quatro amostras de água de diferentes origens: água de irrigação, água de lagoa, água de lago e água do mar, e constataram que ela foi capaz de eliminar até 99,9% dos microplásticos em todos os casos.

“Mesmo sob uma variedade de políticas, incluindo redução de produtos plásticos, gestão de resíduos e reciclagem ambiental, a poluição por microplásticos é irreversível e crescente”, escreveram os pesquisadores. A esponja desenvolvida pelos cientistas de Wuhan conseguiu absorver os microplásticos por meio de duas formas: interceptando-os fisicamente e atraindo-os eletromagneticamente. O baixo custo e a ampla disponibilidade de algodão e ossos de lula indicam que a esponja “tem grande potencial para ser usada na extração de microplásticos de corpos d’água complexos”, segundo o estudo.
Shima Ziajahromi, professor da Universidade Griffith, na Austrália, afirmou que a invenção poderia ser uma forma eficaz de “limpar o ecossistema aquático de alto risco e vulnerável”. No entanto, ele alerta sobre o descarte adequado das esponjas. “Embora o material seja biodegradável, os microplásticos que ele absorve precisam ser descartados adequadamente”, destacou Ziajahromi. Sem um gerenciamento cuidadoso, esse processo pode transferir microplásticos de um ecossistema para outro. O professor reforçou que reduzir a poluição plástica deve continuar sendo uma “prioridade máxima”.
Colaboração:
Vitor Batista sobre o autor
Vitor Batista é graduando em ciências biológicas na FFCLRP/USP e acredita que a ciência precisa ser difundida para o público com linguagem acessível, sendo alcançada por meio de projetos como a Ilha do Conhecimento.
Fontes e mais informações sobre o tema:
Matéria da CNN Brasil, intitulada “Esponja de ossos de lula pode ajudar a remover microplásticos da água“, publicada em fevereiro de 2025.