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III Divulga Ciência

#Especiais (Especiais temáticos repletos de informações científicas)

O III Divulga Ciência, evento organizado pela Ilha do Conhecimento, terá como tema “O papel político e social da divulgação científica”.

Sobre:
Título: III Divulga Ciência
Categoria: Ciclo de palestras
Instituição: Ilha do Conhecimento
Localização: Online (YouTube)
Público alvo: Cientistas, divulgadores científicos e interessados em ciência
Data e horário: De 22 a 25 de agosto de 2022, com início às 19 horas
Link de inscrição para recebimento de certificado: https://tinyurl.com/IIIDivulgaCiencia

Muito se discute a respeito dos usos sociais do conhecimento científico, especificamente, no caso de sua contribuição na elaboração e implementação de políticas e medidas públicas. Há um grande movimento hoje no Brasil para a aplicação da metodologia evidence-based policy (política baseada em evidências – PBE), que tem como objetivo estreitar os canais de comunicação entre ciência e política, no intuito de diminuir o abismo na relação entre cientistas e gestores. 

A ideia é que esses gestores possam ampliar seus conhecimentos a respeito de uma determinada questão a partir do acesso a um maior número de evidências científicas sobre o tema, ao invés de se basearem em relatos ou experiências pessoais, contribuindo assim para formulação de políticas mais eficazes (Carneiro e Sandroni, 2018). A implementação de PBE começou a ser aplicada na área da saúde, mas tem avançado para outras áreas, como nas políticas voltadas à conservação ambiental (Sutherland et al., 2004).

Em entrevista à Revista FAPESP, a cientista Flavia Donadelli, professora de gestão pública e assessoria política na Universidade de Wellington na Nova Zelândia, explica que frequentemente o impacto da ciência no âmbito da política se restringe apenas ao uso de argumentos científicos em debates públicos, e que estimar a relevância do conhecimento científico na definição de políticas públicas é uma questão complexa. Para ela, existem diversos fatores que podem influenciar na incorporação do conhecimento pelos parlamentares e na articulação política para implementação de políticas públicas (Revista FAPESP, 2019). No Brasil, no entanto, o diálogo entre cientistas e atores políticos está longe de ser satisfatório. 

Há ainda uma diferença gritante entre áreas de conhecimento. Estudos apontam que quando ocorre uma mobilização de conhecimento, o mesmo é quase que exclusivamente da área de ciências naturais. As ciências sociais acabam não sendo utilizadas como fonte de informação necessária em processos de tomada de decisão. E por que existe essa lacuna na comunicação entre política e ciência? Dentre vários fatores, existe a dificuldade de compreensão da linguagem científica pelos tomadores de decisão (Carneiro et al., 2009).  Nesse contexto, os esforços das atividades de divulgação e popularização da ciência, no que tange a transformação de textos científicos – em textos passíveis de serem compreendidos de forma mais simples , tornam-se essenciais para estreitar os mecanismos de comunicação entre uma esfera e outra.

O papel da divulgação científica vem se modificando ao longo do tempo, acompanhando sempre o desenvolvimento da sociedade, podendo ser direcionada a diferentes objetivos, tais como:

(a) Educacional, o qual envolve a ampliação do conhecimento e da compreensão do público leigo a respeito do processo científico e sua lógica; 

(b) Cívico, no qual a transmissão da informação científica fica voltada para a ampliação da consciência do cidadão a respeito de questões sociais, econômicas e ambientais, desenvolvendo uma opinião pública em áreas críticas do processo de tomada de decisões; 

(c) Mobilização popular, o qual tem como objetivo  transmitir informação científica que leve os atores a intervir melhor no processo decisório, ampliando a possibilidade e qualidade de participação social na formulação de políticas públicas. 

 

São, portanto, inúmeros aspectos e objetivos enfatizados pela divulgação científica, e dependo de qual ênfase é dada o público-alvo varia entre cientistas, tecnólogos, estudantes, população letrada e iletrada e agentes formuladores de políticas públicas (Albagli, 1996).

Assim,em sua terceira edição, o Divulga Ciência tem a honra de convidar para um bate-papo um time incrível de pesquisadores e divulgadores científicos que abordam em suas páginas, canais e iniciativas, a relação entre a ciência e temas de interesse público nas áreas do meio ambiente, saúde e desigualdades sociais.

O evento é online e gratuito e será transmitido ao vivo pelo nosso canal do YouTube. Além disso, enviaremos certificados para os inscritos através do link https://tinyurl.com/IIIDivulgaCiencia

 

Confira abaixo uma breve descrição de tudo que vai rolar no evento:

Na abertura do nosso evento no dia 22 de agosto, temos a honra de receber o ilustríssimo Professor Dr. Ricardo Galvão (@ricardogalvaosp), professor titular no Instituto de Física da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que irá trazer um panorama geral sobre a importância do conhecimento científico em temas de interesse público e na formulação e implementação de políticas públicas. Link para assistir ao vivo: https://youtu.be/jBUFvV-_BOY

 

Nos casos ambientais, a formulação e a implementação de políticas públicas exigem conhecimento científico para validar, justificar ou legitimar as tomadas de decisão. Nesse sentido, o segundo dia do nosso evento será, portanto, dedicado às questões ambientais. Receberemos para um super bate-papo  Ana Celina Tiburcio, idealizadora do Organa (@organa.cocriativa), uma iniciativa que combina a cocriação de Design Comunicacional para organizações, projetos e iniciativas coletivas em prol de questões socioambientais e da conservação para sociedades sustentáveis e regenerativas. Junto dela, teremos a presença da Ma. Laura Lamonica, que atualmente é coordenadora executiva da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura (@coalizao_brasil), um espaço voltado ao diálogo entre organizações dos principais setores interessados no combate às mudanças climáticas: o Florestal e o Agropecuário. Link para assistir ao vivo: https://youtu.be/cpyXI03yNpU

O papel político e social da divulgação científica na área da saúde será o tema do nosso terceiro dia de evento. O início da pandemia de COVID-19 em 2020 e o aumento na propagação de notícias falsas, escancarou uma necessidade de se ter uma comunicação fluida entre aquilo que a ciência está produzindo, o entendimento do método científico e a sociedade, que é diretamente afetada por esses estudos. 

Muitos profissionais, que já atuavam contra a desinformação antes da pandemia, se destacaram como protagonistas nesse diálogo com a sociedade, como a Profa. Dra. Ethel Maciel (@EthelMaciel), professora, pesquisadora na área de Epidemiologia de Doenças Infecciosas e presidente da @redetuberculose, a Profa. Dra. Lorena Chaves (@lorenacschaves), virologista e pesquisadora na Emory University e a Profa. Dra. Mellanie Fontes-Dutra (@mellziland), neurocientista e coordenadora da Rede Análise COVID 19 (@redeanalise). Link para assistir ao vivo: https://youtu.be/xiONYDyVzhU

ciênciaE para fechar com chave de ouro, o III Divulga Ciência traz a discussão da importância do estudo científico para promoção da equidade e do enfrentamento das desigualdades e das discriminações de gênero. Para esse bate-papo convidamos Clarice Cudischevitch (@clarice_cudi), gestora de comunicação no Instituto Serrapilheira (@iserrapilheira) e coordenadora do blog Ciência Fundamental, na Folha de S.Paulo (www.folha.uol.com.br/blogs/ciencia-fundamental/) e Giulliana Bianconi (@giubianconi), jornalista, cofundadora e diretora da @generonumero, uma empresa social que produz e distribui jornalismo sobre questões urgentes de gênero e raça, visando qualificar debates rumo à equidade. 

Junto à essas mulheres, convidamos a professora e pesquisadora Juliana Fedoce (@jfedoce), fundadora e presidente do Instituto Sua Ciência (@suaciencia), uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que busca alternativas de fomento à pesquisa e disseminar conhecimento científico em linguagens acessíveis e meios adaptados a todos públicos. Link para assistir ao vivo https://youtu.be/gxdSemqAW1w

O evento será realizado com o patrocínio da OMICS – Soluções para laboratórios (https://omics.com.br/) e Living Out – In vitro cell testing. 

Enquanto esperam chegar o dia dos eventos, confiram tudo o que rolou na edição do ano passado nessa playlist especial que preparamos!

 

Colaboração:

Equipe Ilha do Conhecimento sobre            

 

Referências:

ALBAGLI, Sarita. Divulgação científica: informação científica para a cidadania? Ci. Inf., Brasília, v. 25, n. 3, p. 396-404, set./dez. 1996 

CARNEIRO, Maria José; GUEDES-BRUNI, Rejan e LEITE, Sérgio Pereira. Conhecimento científico e políticas públicas: mobilização e apropriação do saber em medidas de conservação da Mata Atlântica. Estudos Sociedade e Agricultura, Outubro de 2009, vol. 17, n. 2, p. 254-303, ISSN 1413-0580. 

CARNEIRO, Maria José Teixeira e SANDRONI, Laila Thomaz. Ciência e política pública na perspectiva dos gestores: clivagens e confluências. Revista Sociedade e Estado – Volume 33, Número 1, Janeiro/Abril 2018. doi: 10.1590/s0102-699220183301002

SUTHERLAND, William J.; PULLIN, Andrew S.; DOMAN, Paul M.; KNIGHT, Teri M. The need for evidence-based conservation. Trends in Ecology and Evolution, v. 19, n. 6, Jun. 2004. 

Revista FAPESP. Quando a ciência molda ações. Estudo avalia interesse de políticos brasileiros por pesquisas acadêmicas e como os resultados influenciam seu processo de tomada de decisão. Autor Rodrigo de Oliveira Andrade, edição 282, 2019.

(Editoração: Nathália Khaled)

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