#Farol de Notícias (Atualidades científicas que foram destaque na semana)
A imitação de padrões de linguagem de crianças com autismo e neurotípicas é diferente, permitindo identificar sinais de autismo
De modo geral, pessoas com autismo se comunicam de forma diferente. Dentre as dificuldades de comunicação, destacam-se pouco contato visual; concentração nos detalhes, e não na essência geral da conversa e valorização do significado literal; dificuldade de entender se algo está implícito e não diretamente expresso. Dessa forma, a pesquisa explorou como as crianças com autismo ou neurotípicas imitam a fala dos pais durante uma conversa.
O estudo envolveu 180 crianças falantes de mandarim, entre 37 e 60 meses de idade (aproximadamente, de três a cinco anos), e o objetivo era encontrar a imitação no diálogo entre as crianças e suas mães. Foram incluídas crianças neurotípicas e neurodivergentes, e suas imitações verbais foram analisadas – como elas reutilizavam e reformulavam espontaneamente as palavras ditas para elas. Os autores concluíram que as crianças com autismo foram muito menos propensas a fazer uso deste tipo de imitação.
A imitação é um aspecto da linguagem, da comunicação e aprendizado que começa ao nascimento. Dessa forma, quando as pessoas falam entre si, elas costumam repetir o que as outras dizem, refletir seus gestos, alinhar seu tom de voz e até mesmo seu sotaque, é esperado. Além de fazer parte do aprendizado, a imitação também envolve aspectos de socialização. Sendo assim, o estudo avaliou o tipo de imitação conhecida como “ressonância”, que envolve a reutilização da fala dos demais durante uma conversa.

Como exemplo do tipo de imitação esperada, há uma situação em que uma mãe abre um livro e diz: “A raposa estava tão assustada que saiu correndo.” Sua filha neurotípica ressoou a frase e se engajou com suas palavras: “Ela estava tão assustada e saiu correndo rapidinho.” Mas este tipo de imitação verbal era mais raro entre as crianças com autismo, que reutilizaram as palavras dos seus pais com muito menos frequência e criatividade.
A ressonância envolve a capacidade de “improvisar” rapidamente com as palavras dos demais, usando a criatividade e permitindo engajamento na conversa. Com a pesquisa foi descoberto que as crianças diagnosticadas com o transtorno do espectro autista apresentam menos probabilidade de fazer isso que as crianças neurotípicas.
Apesar de o transtorno do espectro autista não impedir a criatividade, essa descoberta elucida uma dificuldade social de pessoas com autismo, limitando sua criatividade com as palavras dos demais durante uma conversa. Essa descoberta fornece uma nova consciência de como os pais, médicos e educadores podem identificar os primeiros sinais de autismo no desenvolvimento das crianças.
Colaboração: Iasmin Cartaxo Taveira sobre a autora
Iasmin Taveira queria ser cientista desde criança e acredita que tornar o conhecimento acessível é o melhor jeito de promover desenvolvimento social. É Biotecnologista pela UFPB, mestre e doutoranda em bioquímica na FMRP/USP.
Referências:
Matéria no site BBC News, intitulada “Como padrões de conversa podem ajudar a identificar sinais precoces de autismo”, publicada em 02/11/2024.