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Fosfina: gás encontrado em Vênus é mesmo sinal de vida extraterrestre?

Apesar de promissora, a produção da substância por seres vivos não é a única explicação para a presença do gás no planeta. 

 

A semana começou com grande agitação na ciência. Na segunda-feira (14), uma equipe internacional de astrônomos anunciou a descoberta do gás fosfina na atmosfera de Vênus. Como aqui na Terra o gás é produzido por microrganismos anaeróbios (que não dependem de oxigênio) ou por atividade da indústria, a presença do gás em outro planeta pode ser um indício de vida extraterrestre.

A descoberta surpreende porque Vênus é um planeta muito hostil à presença atual de vida. A hostilidade está presente inclusive na alta acidez das nuvens em que a fosfina foi detectada. Mas justamente por isso a equipe de pesquisadores considera a descoberta animadora: nas condições atmosféricas de Vênus, a fosfina seria destruída rapidamente, o que sugere produção continuada do gás.

 

Imagem do planeta Vênus, segundo planeta do sistema solar em termos de proximidade ao Sol.
Vênus, segundo planeta do sistema solar em termos de proximidade ao Sol. Imagem: Pablo Carlos Budassi/Wikimedia Commons.

 

Além disso, o gás foi encontrado em uma região da atmosfera com temperatura e pressão comparáveis às da superfície terrestre. Fontes de fosfina detectadas anteriormente no espaço ocorrem sob temperaturas extremas, como as atmosferas de Júpiter e Saturno, dois planetas gasosos. Tanto Vênus quanto a Terra são considerados planetas rochosos por apresentarem uma estrutura majoritariamente sólida, composta por rochas e metais . 

Apesar do destaque dado à hipótese de que o gás seja produzido por seres vivos, os pesquisadores também chamam a atenção para outras explicações. Em Vênus, a fosfina pode ser gerada por reações químicas até então desconhecidas pela ciência, em processos geoquímicos ou fotoquímicos próprios daquele planeta. Por isso, não é possível afirmar que existe vida em Vênus sem entender como o gás está sendo produzido. 

A descoberta foi publicada na revista científica Nature Astronomy e confirma suspeitas antigas de que poderia existir fosfina na atmosfera de Vênus. A equipe de Jane Greaves, pesquisadora da Universidade de Cardiff que liderou o estudo, já investigava o assunto desde 2016. Para estudar a atmosfera de outros planetas os cientistas utilizam telescópios, como os do observatório ESO no Chile.

 

Anel de telescópios La Silla, localizado no deserto do Atacama e parte do observatório ESO.
Anel de telescópios La Silla, localizado no deserto do Atacama e parte do observatório ESO. Imagem: Iztok Boncina/ESO.

 

O estudo faz parte de uma rede ampla de pesquisas que investigam sinais de vida em outros planetas. Um exemplo de sinal é a presença de gases relacionados a seres vivos, como é o caso da fosfina. Com os novos resultados, a expectativa é de que futuras missões espaciais voltem a colocar Vênus em evidência como candidato a explorações sobre o tema. A última missão enviada pela NASA ao planeta vizinho foi “Magellan”, em 1990, para mapear sua superfície. 

 

News: Luanne Caires

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Fontes e mais informações sobre o tema:

Artigo científico intitulado “Multilayered cylindrical triboelectric nanogenerator to harvest kinetic energy of tree branches for monitoring environment condition and forest fire”, publicado na revista Advanced Functional Materials em 2020, de autoria de GREAVES Jane, RICHARDS Anita e colaboradores. 
https://www.nature.com/articles/s41550-020-1174-4

Matéria no site do G1, intitulada “Gás encontrado na atmosfera de Vênus pode indicar vida extraterrestre microbiana”, publicada em 14/09/2020.
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/09/14/cientistas-encontram-gas-na-atmosfera-de-venus-que-pode-indicar-vida-extraterrestre-microbiana.ghtml

 

(Editoração: André Pessoni)

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