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Para cada aumento de 1 ºC na temperatura do mar, as tartarugas põem ovos 6 dias antes do período ideal
As mudanças climáticas aumentam o risco de extinção de diversas espécies marinhas migratórias, resultando em taxas elevadas de perda de biodiversidade, com as tartarugas marinhas sendo particularmente afetadas. A fenologia, que se refere ao tempo dos eventos biológicos, está entre as respostas mais frequentemente associadas às mudanças climáticas e, muitas vezes, é vista como adaptativa.
Em um estudo publicado no dia 19 de fevereiro na revista Proceedings of the Royal Society B, pesquisadores observaram que as tartarugas marinhas verdes estão ajustando seus hábitos de nidificação em resposta ao aumento das temperaturas globais. As fêmeas estão começando a depositar seus ovos mais cedo na temporada para lidar com o aumento do calor.
É importante ressaltar que a temperatura influencia a determinação do sexo das tartarugas. Temperaturas mais altas resultam em fêmeas, enquanto temperaturas mais baixas geram machos. Com o aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas, observa-se o nascimento de mais fêmeas e menos machos, o que pode enfraquecer as populações, uma vez que a prole será reduzida.

Para entender como as tartarugas estão se adaptando, a ecologista Annette Broderick e seus colegas analisaram três décadas de dados de nidificação de cerca de 600 tartarugas verdes marcadas (Chelonia mydas) nas praias do norte do Chipre. Os dados incluíram o número de filhotes bem-sucedidos de cada ninho e as temperaturas durante a incubação. A pesquisa revelou que as fêmeas começaram a nidificar mais cedo à medida que as temperaturas aumentavam, colocando seus ovos, em média, seis dias antes a cada aumento de 1 grau Celsius.
“Esta é a primeira vez que um estudo investigou como as tartarugas, individualmente, estão mudando seu comportamento”, em vez de simplesmente analisar a mudança no comportamento de nidificação a nível populacional, explica Broderick, da Universidade de Exeter, no Reino Unido.
Embora estudos anteriores tenham mostrado que a atividade de nidificação de populações inteiras de tartarugas ocorre mais cedo, o novo estudo confirma que as tartarugas estão adaptando seu comportamento em resposta às mudanças climáticas.
Além das temperaturas, a experiência de reprodução e o número de ninhadas em um ano também influenciaram o momento da nidificação. Outros estudos sugerem que a postura mais precoce observada em algumas espécies de tartarugas pode ser suficiente para compensar os efeitos do aumento das temperaturas nos ovos. “Isso lhes dá uma perspectiva muito melhor diante das mudanças climáticas”, afirma Rickwood. Para prever e mitigar com precisão a perda de biodiversidade futura, é essencial entender se e como as espécies e populações podem se adaptar aos regimes climáticos futuros.
Mollie Rickwood é uma estudante de doutorado na University Victoria of Wellington (Nova Zelândia) que estuda a contribuição de ecossistemas mesofóticos (com média intensidade de luz) temperados. Em seu projeto de mestrado, Mollie estudou as interações a nível ambiental em tartarugas-verdes tanto no nível individual quanto populacional.
Colaboração:
Vitor Batista sobre o autor
Vitor Batista é graduando em ciências biológicas na FFCLRP/USP e acredita que a ciência precisa ser difundida para o público com linguagem acessível, sendo alcançada por meio de projetos como a Ilha do Conhecimento.
Fontes e mais informações sobre o tema:
Matéria da Science News, intitulada “Some sea turtles are laying eggs earlier in response to climate change“, publicada em março de 2025.