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Mulheres negras na ciência brasileira

#Especiais (Especiais temáticos repletos de informações científicas)

No dia 11 de fevereiro é comemorado o Dia Mundial de Mulheres e Meninas na Ciência.

DESTAQUES:
– Apesar de representarem 28% da população brasileira, as mulheres negras ocupam apenas 7% do número de pesquisadoras mulheres do país;
– O espaço acadêmico brasileiro, e também mundial, ainda é muito sexista e racista, devido aos processos históricos que ocorreram no mundo, levando poucas oportunidades às mulheres negras;
– Nesse contexto, para os que buscam uma sociedade mais justa, devemos sempre que pudermos, dar voz e reconhecer as pesquisadoras negras que já conhecemos e lutar para que esse cenário mude.

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 28% da população é autodeclarada de mulheres negras, grupo que reúne pretas e pardas, o que correspondem a metade dos negros do país (56%) e, desse grupo, apenas 10,4% concluem o ensino superior. 

Apesar das mulheres brasileiras representarem 75,5% das pesquisadoras com bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq, apenas 7% desse número são mulheres negras. 

Diante deste cenário, e próximo ao Dia Mundial de Mulheres e Meninas na Ciência (11 de fevereiro), o Ilha do Conhecimento elaborou uma lista reconhecendo o sucesso e o talento de cientistas negras brasileiras de diferentes áreas.

 

ENEDINA ALVES MARQUES

Figura 1. Enedina Alves Marques. Fonte: https://revistas.ufpr.br/vernaculo/article/view/33232/21293

Foi a primeira mulher negra a se formar em engenharia no Brasil. Nascida em 1913, de família pobre, ela cursou engenharia e se formou no Instituto de Engenharia do Paraná.

Enedina trabalhou como empregada doméstica para conseguir financiar seus estudos e participou de importantes obras como a projeção da usina hidrelétrica Parigot de Souza, no Paraná. Ela faleceu em casa, aos 68 anos, vítima de um ataque cardíaco.

 

Figura 2. Jaqueline Goes de Jesus. Fonte: https://www.edgardigital.ufba.br/?p=16386

JAQUELINE GOES DE JESUS

Formada em biomedicina na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, a biomédica teve a oportunidade de acompanhar o trabalho de pesquisadores que sequenciaram o genoma do zika vírus no Brasil. Jaqueline também é doutora em patologia humana e pesquisadora brasileira.

Esse conhecimento foi importante, para que a mesma liderasse, junto com a pesquisadora Ester Sabino, o estudo que permitiu o sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2 causador da atual pandemia da covid-19, isso em apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso da doença  no Brasil – tempo esse abaixo da média mundial, de 15 dias.

A pesquisadora integra também o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus, um projeto de monitoração de epidemias com o objetivo de dar respostas em tempo real.

 

Figura 3. Katemari Diogo Rosa. Fonte: http://simaigualdaderacial.com.br/premio2020

KATEMARI DIOGO ROSA

Katemari sonhava em ser astrônoma desde os 8 anos de idade. Ela é formada em física, mestre em filosofia e em história das ciências e doutora em Ciências, título que obteve na Universidade de Columbia (Nova York).

Atualmente, Katemari é professora da Universidade Federal da Bahia e criou a disciplina “Descolonização de Saberes:  a contribuição da ciência dos povos africanos e afrodiaspóricos”. Já publicou seis artigos em periódicos, três livros e assina três capítulos de livros, além de ter orientado mais de 8 trabalhos de iniciação científica e uma dissertação de mestrado.

 

LUIZA BAIRROS

Figura 4. Luiza Bairros. Fonte:https://www.geledes.org.br/perfis-femininos-luiza-bairros

Luiza compôs o Movimento Negro Unificado (MNU) e é uma das vozes mais respeitadas no combate à discriminação racial no Brasil. A ativista negra foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) durante o segundo mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff, e faleceu em julho de 2016.

Bairros era mestre em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em sociologia pela Michigan State University (EUA). Sua graduação foi em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a mesma se especializou em Planejamento Regional pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

 

MARIA AUGUSTA ARRUDA

Figura 5. Maria Augusta Arruda. Fonte: https://www.linkedin.com/

Maria nasceu no Rio de Janeiro e cursou ensino médio técnico em Biotecnologia, graduação em Ciências Biológicas e doutorado em Biociências Nucleares na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Em 2003, recebeu o Young Investigator Travel Award e, em 2005, o Prêmio Jovem Talento de Ciências da Vida, da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq).

Maria Augusta estuda a atividade da NADPH Oxidase, enzima responsável pela geração de radicais livres em diferentes contextos patológicos, como inflamações, doenças vasculares e câncer. Seu estudo busca entender as patologias em que os radicais livres se encontram em maior quantidade, buscando assim no futuro um tratamento relacionado na atividade desta enzima.

Atualmente é bióloga e pesquisadora na School of Life Sciences da Universidade de Nottingham.

 

NINA (ANA CAROLINA) DA HORA

Figura 6. Nina da Hora. Fonte: https://programae.org.br/conheca-nina-da-hora-a-jovem-que-esta-hackeando-o-sistema-para-o-bem/

Nascida em uma família formada por mulheres professoras, é cientista da computação, pesquisadora na área de pensamento computacional, hacker antirracista, professora e dona do podcast Ogunhê. 

Nina está à frente de duas iniciativas que promovem a inclusão digital através de ensinamentos sobre pensamento computacional. Ela compartilha seu conhecimento para empoderar jovens negros, principalmente mulheres, para que ocupem esses espaços no mercado tecnológico, que ainda é dominado por homens e brancos.

 

Figura 7. Rosy Isaias. Fonte: https://apubh.org.br/acontece/entrevista-rosy-isaias-considero-a-condicao-de-mulher-pesquisadora-desafiadora-mas-tambem-muito-gratificante/

ROSY ISAIAS

Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Santa Úrsula (1986), mestrado em Ciências Biológicas (Botânica) pelo Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (1992) e doutorado em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo (USP) (1998).

Rosy é professora Titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), atua na área de Botânica, com ênfase em Anatomia e Histoquímica Vegetal. Ela trabalha com as linhas de pesquisas de desenvolvimento vegetal, anatomia e histoquímica de galhas e respostas celulares vegetais à ação de organismos galhadores

 

SÔNIA GUIMARÃES

Figura 8. Sonia Guimarães.Fonte: https://www.comciencia.br/as-mulheres-negras-e-ciencia-no-brasil-e-eu-nao-sou-uma-cientista/sonia-guimaraes/

Nascida no interior de São Paulo, Sônia sempre estudou em escola pública, com notas altas especialmente em matemática. Decidiu prestar vestibular para engenharia civil, mas acabou sendo aprovada em física na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). 

Em 1979, ingressou no mestrado em física aplicada na Universidade de São Paulo (USP) e em 1986 começou o doutorado em materiais eletrônicos na University of Manchester Institute of Science and Technology, na Inglaterra. Ao concluir a pesquisa, tornou-se a primeira mulher negra doutora em física do Brasil. 

Sônia é docente há quase 30 anos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Ela atua na área de física aplicada, com ênfase em Propriedade Eletróticas de Ligas Semicondutoras Crescidas Epitaxialmente, e já conduziu pesquisas sobre sensores de radiação infravermelha.

Guimarães nunca escondeu seu descontentamento com as desigualdades raciais e de gênero dentro do meio científico.

 

CATARINA XAVIER

meninas na ciência
Figura 9. Catarina Xavier. Fonte: https://mundonegro.inf.br/com-12-anos-catarina-decidiu-ensinar-matematica-pelo-youtube/

Conhecida como CatMat no seu canal do YouTube (https://www.youtube.com/channel/UC8A3djGj-49M_wxkiEAwEfA), Catarina tem apenas 13 anos de idade, cursa o 8º ano do ensino fundamental e ensina matemática em seus vídeos, promovendo lives com professores e especialistas da área.

Seu canal conta com quase 30 mil seguidores e suas principais inspirações vem do dia a dia, de suas professoras e a mãe, que também ama matemática. O canal também ajuda a entender mais os conteúdos que a mesma aprende nas aulas da escola. Na pandemia, Xavier conseguiu desenvolver uma grande quantidade de conteúdo.

Pode-se dizer que o espaço acadêmico, ainda muito sexista e racista, é pouco ocupado por mulheres negras e, as poucas que conseguem destaque, o fazem com muito esforço. Assim, é importante a reflexão dessas desigualdades para mostrar que as mesmas influenciaram e influenciam na construção do conhecimento. É preciso revisitarmos nossa história e darmos voz a narrativas históricas invisibilizadas que nos permitem desconstruir os padrões da ciência e dos cientistas brasileiros impostos.

 

Colaboração:

Nathália Amato Khaled sobre a autora

Nathália é perita criminal pelo estado de São Paulo, divulgadora científica, doutora em genômica/bioinformática pela USP, mestre em imunologia e graduada em biomedicina pela UNIFESP. É fascinada pelas ciências forenses desde os 11 anos de idade e vê na ciência e, principalmente, na educação as possibilidades de mudanças significativas para a sociedade.

 

Fontes e referências bibliográficas:

Artigo científico intitulado “A invisibilidade da mulher negra na Ciência: uma análise a partir de livros didáticos de Ciências e Biologia”, publicado na revista Educar Mais em 2021, de autoria de Pereira, A.C.O. e Elias, M.A.

Artigo científico intitulado “Enedina Alves Marques: a trajetória da primeira engenheira do sul do país na faculdade de engenharia do Paraná (1940-1945)”, publicado na revista Vernáculo em 2011, de autoria de Santana, J.L.

Artigo científico intitulado “Katemari Diogo Rosa: gênero, raça e etnia na física”, publicado na revista da ABPN em 2020, de autoria de Faustino, G.A.A.

Dissertação de Mestrado defendida no Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás, no ano de 2018, intitulada “Sobre Produção de Mulheres Negras nas Ciências: Uma Proposta para a Implementação da Lei 10.639/03 no Ensino de Química”, de autoria de Vargas, R.N.

Entrevista no site APUBHUFMG+ intitulada “Rosy Isaias: “considero a condição de mulher pesquisadora desafiadora, mas também muito gratificante”” publicada em 11/02/2021. https://apubh.org.br/acontece/entrevista-rosy-isaias-considero-a-condicao-de-mulher-pesquisadora-desafiadora-mas-tambem-muito-gratificante/

Matéria no site da Academia Brasileira de Ciências intitulada “Compreendendo enzima que gera radicais livres” publicada em 24/06/2018. https://www.abc.org.br/noticias/compreendendo-enzima-que-gera-radicais-livres/

Matéria no site do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades intitulada “Conheça Sônia Guimarães, primeira brasileira negra doutora em física” publicada em 21/08/2020. https://ceert.org.br/noticias/genero-mulher/43305/conheca-sonia-guimaraes-primeira-brasileira-negra-doutora-em-fisica

Matéria no site EDGARDIGITAL UFBA intitulada “A doutora formada na UFBA que liderou o primeiro sequenciamento genético do coronavírus no Brasil” publicada em 02/04/2020. https://www.edgardigital.ufba.br/?p=16386

Matéria no site MUNDO NEGRO intitulada “Com 12 anos Catarina decidiu ensinar matemática pelo Youtube” publicada em 26/06/2020. https://mundonegro.inf.br/com-12-anos-catarina-decidiu-ensinar-matematica-pelo-youtube/

Matéria no site PROGRAMAÊ intitulada “Conheça Nina da Hora, a jovem que está hackeando o sistema para o bem” publicada em 13/11/2020. https://programae.org.br/conheca-nina-da-hora-a-jovem-que-esta-hackeando-o-sistema-para-o-bem/

Perfil do Site do Portal Geledés. https://www.geledes.org.br/perfis-femininos-luiza-bairros

(Editoração: Loren Pereira)

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